terça-feira, 2 de novembro de 2010

OITO

oito

tão cansado... são tres da madrugada e o lsd não me deixa dormir. amanhã eu trabalho. todo dia eu trabalho, sempre a mesma coisa. A vida segue esse ritmo, vivo feliz por uma breve indução.

preciso de carinho. carência é o meu maior pecado. o problema real é quando você já perdeu a noção de quanto tempo faz desde que alguem encostou em vc sem te causar dor. quando já se foi a lembrança do que é sentir um toque de pele que possa te fazer se sentir vivo. a vida perde a cor, perde sentido, vira tudo "isso", essa massa de palavras que não tem sentido nenhum.

já nem lembro mais quando foi a ultima vez que alguem olhou pra mim e me disse mais do que apenas palavras de incentivo. qualquer um que realmente se importe, não que finja bem. Eu não sei, eu preciso de contato, não dessa amizade fria. eu preciso de alguem, um alguem qualquer, e eu nem peço muito, por achar que não mereço.

um dia ao menos eu queria não ter que esperar uma mensagem pra ficar feliz. um dia ao menos eu queria não ter que acordar com um completo vazio ao meu lado, no meu dia. por um dia, se não for pedir muito, e só se não for faltar a alguem, eu queria ter alegria.

uma vez se quer, só uma vez eu quero sentir o que é saber que se é amado sem deixar isso ir embora, sem me embriagar na minha própria loucura. UM DIA, só um dia, sem essa loucura toda, só um dia. Eu só queria um dia como antigamente, quando a vida era mais facil, mais simples, e eu teimava em dificultar tudo.

queria que amanhã não fosse tão cruel. que eu pudesse ter tempo pra respirar, só pra ver o quanto eu tenho me afundado, cada vez mais, cada vez pior. Só pra eu poder sentir esse vento quente que sobe dos meus pulmões, esse cheiro de coisa podre, e respirar de novo essa fumaça que me come por dentro. um dia, só um dia, e só se não for incomodar ninguem, eu gostaria de não ser mais eu.

pior do que tudo isso é saber que ninguem vai realmente se importar. que no final, vou ser apenas mais um "vento que passou". quanto mais eu me obrigo a acordar, mais peso vai sendo colocado nas minhas costas, e já não importa saber quanto eu suporto. simplesmente não importa. Essa é a minha unica forma de se auto-destruir, aceitar a carência, a solidão, a pobreza. Me identificar com a mediocridade.

um dia apenas eu quero acordar com um elogio. com um sorriso e um bom dia. faz tanto tempo que eu já esqueci, já esqueci o que é tocar sem causar dor, o que é falar sem ofender, o que é amar sem machucar, o que é ter sem pedir, o que é dar sem esperar retorno. Eu desaprendi comigo e aprendi com o mundo.

Desculpa, eu falhei.

domingo, 24 de outubro de 2010

SETE

19 + (-12)
[os trocadilhos estão acabando]


Escrevi pensando em uma conversa que eu tive com uma certa mulher, escrevi pra ela, mas não consegui pegar o tom feminino... acho que é por que isso soa melhor vindo de uma mulher para um homem, do que de um homem para uma mulher. Que machismo. haha.

>noite dos mil amores<

Triste o homem que tudo ama
Por amar sem fim ao nada
E sente nesse amor que lhe engana
Que não necessitas da amada

Triste a noite dos mil amores
Pois raia o sol e é tudo vão
Restam apenas os odores
Da noite que se torna solidão

Triste, mais triste é estar trancado
Não por que se quer, mas por estar
Trancado nesse palco alucinado
De onde só se pode desabar

E pior que tudo isso é só te ver
Fazer contigo tal crueldade
Vendo lentamente se perder
Nesse poço teu de vaidade.

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triste mesmo é saber que não se importa em se tornar assim tão "mais uma".

sábado, 16 de outubro de 2010

SEIS

VI

~acordei~

Mais uma vez acordo no quarto
Assustado, me vejo em casa
Sinto, tal como dores de parto
Que tentaram cortar minha asa

Acordo e finjo que estou bem
Ponho um sorriso no rosto
Por dentro, lanço ao desdem
Tudo o que eu queria com gosto

Não há motivo para paciencia
Não há razão para levantar
Despertando minha consciencia
Reconhece meu quarto, meu lar

Hoje é só mais um dia triste
Dos muitos que tenho pela vida
Aos passaros, a ração de alpiste
Pra mim, a oração nunca lida.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

CINCO

3+2

CHEGA DO RIDICULO!

Mais uma noite, um cigarro
Faz frio como sempre, o desamparo
Minhas mãos estão calejadas
De dar carinho, estão cançadas

Mais uma noite e a solidão
Mais um grito que dei em vão
Não há ninguem a escutar
Esse meu duro lamentar

Todas querem ser conquistadas
Querem sempre ser amadas
Chega! Não escreverei essas linhas
Pra que escrever se não são minhas?

Não vou mais correr atras
Já dei meu melhor e muito mais
A ninguem eu conquistei
Nunca tive e só me dei

Não espero encontrar
Ninguem a fim de me conquistar
Então fico com essa certeza
De ter a dor a minha mesa.

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escrevi tem uns dias, pena que não adianta, ninguém entende isso.

domingo, 10 de outubro de 2010

QUATRO

quatro

Poetizando em vão por aquela que nunca vai ser minha.
Tenho esse estranho problema: eu idealizo.
Idealizo o Amor, idealizo a amada.
Escrevi esse poema para a primeira opção idealizada, que nada mais é do que isso:
Um ideal, embora puramente platônico.


PASSAGEM

O ar frio toca o vidro da janela
Embaçando o cinza da paisagem
Pelo asfalto desfila aquela
Que tudo para com sua passagem

Respiro afoito teu cheiro
Sinto o passo dos seus pés
A fumaça, o fumo, o isqueiro
Encobre quem verdadeiramente és

Você passa e nem percebe
Que tua visão esquenta meu tempo
Torna tudo mais leve
Faz meu dia passar mais lento

Me encanta teu jeito seguro
Tua presença tão comedida
Meu olhos, fixos e impuros
Devoram todas as tuas medidas.

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é, idealizo demais.

domingo, 3 de outubro de 2010

TRÊS

|-3| = |3|

acho que isso dá até um samba. vou providenciar o instrumental. haha.

~o recado~

Vou lhe mandar um recado

Escute, eu só falo uma vez

Não diga que não foi avisado

Pagará pelo que me fez

Rapaz, não ache que não sei o que faço

São coisas daqui com as quais você mexeu

Agora o que iras enfrentar de verdade

São as coisas de lá, mas fortes que eu

Nunca corri da batalha, e nunca em vão

Não caio, não desisto,

não cedo, não perco a visão

Sou para ti, seu pior pesadelo

Sou o anjo da morte,

Arrepio, teu pelo.

Sempre fui acostumado,

Com atrevidos do teu tipo

Muito mais que preparado,

És para mim um derrotado

A quem eu nem mesmo sito

Rapaz, olha bem com quem você se encrencou

Vai correr, pra que lado?

Quem te livrar da corda

Na qual você se enforcou?

É rapaz, você ta ferrado.

É rapaz, você fez tudo errado.

E o que resta pra ti é nada mais

Do que um “descanse em paz”

E um adeus nunca dado.

Essas coisas brotam na minha mente.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

DOIS

II

Encontrei recentemente pessoas que tem começado a conquistar um espaço na minha vida, ou no meu pensamento. Pessoas as quais deixam meu dia mais chato, quando não se fazem presentes nele, ou em uma parte dele. Faz um tempo considerável que eu não sinto isso, essa sensação de prazer numa conversa.

Agradeço muito a essas pessoas, internamente claro... ahsuhaushas... tenho medo que elas notem a importância que tem pra mim e acabem indo embora, ou que pior, parem a vida delas em algum sentido por causa disso. Não desejo interferir na vida delas, por mais elas me façam um bem tão grande. Seria egoísmo meu querer que elas ficassem pra sempre ao meu lado. As coisas boas são assim, intensas. Vem e vão... infelizmente. Queria eu uma vida só de alegrias, e que essas pessoas pudessem ficar ao meu lado pra sempre. Mas a vida não é um conto de fadas. A vida é mais cruel do que eu supunha.

Não me disseram que quando eu viesse pra cá iria ter que sofrer tanto ao ver as coisas terminarem. Tudo nesse universo é finito, e com o tempo, assim como disse o Fernando Pessoa, eu aprendi a amar "infinitamente o finito" e "impossivelmente o possível". A dor do fim, de escrever a ultima linha do poema, compor a ultima escala, ver os créditos aparecerem na tela... isso tudo me dói. É como o apagar de uma vela, sufoca-se o pavio e logo some o fogo, a luz, o calor, e tudo desmorona.

Hoje não existe mais tantas coisas, é mais um vazio, uma ausência de mim mesmo. E essa eterna certeza de que não sei absolutamente nada além do que identifico como mundo externo. Falsas verdades, vãos sentimentos. Tudo muito simples, tudo complexo demais.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

UM

UM

~devaneios poéticos~

passarinho, passarinho
por que voas longe do ninho?
por que vens a minha janela?
e logo despede-se dela?

passarinho vai te embora
até que finde minha melhora
até lá teu canto é dor
e teu vôo, um torpor

até logo.

~^~

é senhorita, escrevi isso ai em cima pra você, apesar de estar na duvida mortal entre achar que você não merece meus versos e querer escrever eles sobre você. Por isso, o pseudônimo é mais que justo, e deveras confuso, quase hermético.

sobre aquilo que me rodeia, bem, o transito cada dia mais caótico, a vida cada vez mais arrastada e cada vez mais chata. Sobre aquilo que me é por dentro, o vazio cada vez mais simples, a solidão cada vez mais latente, nos olhos, no jeito. A vida transforma-se num deserto, num nada, numa repetição mecânica de ações, tanto internas, quanto externas.

"não pense nisso, você vai acabar ficando louco" - caralho, já estou falando comigo mesmo em terceira pessoa.




segunda-feira, 27 de setembro de 2010

ZERO

zero

Zero é um bom numero para se começar.
Neutro, solitário e diferente.
Zero não é negativo, nem positivo, o zero é ele, por si só.
O zero, é na verdade, o segredo. Pois ninguém chega ao segredo em conjunto. Apesar do zero fazer parte de conjuntos, ele é sempre um elemento a parte, nem quente, nem frio, nem mais, nem menos.

Zero. Um ótimo ponto de partida, um lamentável ponto de chegada.

Bem... preciso de espaço pra expressar certas coisas... textos, poemas, etc.
É basicamente isso que verão por aqui.

por hora, um poema que escrevi recentemente:

~nova experiência~

quando o assunto é você
me faltam mais que palavras
é como se um desejo
colocasse em minha boca, travas.

quando é você que passa
sinto minha perna tremer
aperta o peito la dentro
querendo o peito te ter

desejo você cada vez mais
cada vez mais perto de mim
pena que estas tão longe
por de trás desse muro de marfim

você, tão segura, tão só
suficiente como uma manhã inverno
quero te ter, só te ter
E dar-te o que me há de mais terno.

[Bom começo de semana pra todos]